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19 de outubro de 2013

ARTE E A POESIA DE CASTRO ALVES E PINTURAS DE PESSOAS ESCREVENDO










ARTE E LITERATURA


PINTURAS DE PESSOAS ESCREVENDO
E A POESIA DE CASTRO ALVES E OUTROS POETAS


Dia do Poeta
20 de Outubro


Poetas

Artistas das palavras.
Preenchem folhas em branco
com obras primas.
Retratam em palavras
os sentimentos da alma
e dos olhos.
Enxergam além dos mortais seres comuns,
tornando-se 'imortais'.

Poesias são pinturas sem tintas.
Parodiando Voltaire que escreveu
que "a pintura é poesia sem palavras".




Vermeer
Pintor holandês (1632-1675)


Música: "Tebe Poema" - Rachmaninoff




Poetas e Poetisas

Eles sentam-se e escrevem o que sentem.
Escrevem em lugares fechados, em uma sala ou escritório, porém estão ali somente de corpo, pois suas almas e mentes estão passeando e viajando por outros lugares.

"Escritor em seu Escritório" - Gustave Caillebotte
Pintor francês (1848-1894)





"Jovem Escrevendo Uma Carta de Amor" - Pietro Rotari
Pintor italiano (1707-1762)







"Jovem Escrevendo" - Pierre Bonnard
Pintor francês (1867-1947)

"Fernando Pessoa" - Almada Negreiros
Pintora portuguesa

"Há duas formas para viver a sua vida: 
Uma é acreditar que não existe milagre. 
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre."
(Fernando Pessoa)



"Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos
a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois,

 antes,é necessário ser um."
(Fernando Pessoa)




Música:"Poema Singelo" - Heitor Villa-Lobos
Compositor brasileiro (1857-1959)
Intérprete: Pianista brasileira - Cristina Ortiz




Minha Homenagem ao Grande Poeta Brasileiro - Castro Alves

O primeiro poema a gente nunca esquece.
No meu caso foram os primeiros livros de poesia que nunca mais esqueci.
Conheci a poesia através de meu avô paterno, que presenteou-me com três mini-livros das "Poesias Completas" de Castro Alves, quando eu tinha uns 6 anos. Lógico que só fui lê-los anos depois.
Tenho guardado até hoje estes raros livros, como herança de infância. (Abaixo a fotografia destes livrinhos)
A poesia "Espumas Flutuantes" está guardada em minha memória e em minha alma até hoje. Li e me afeiçoei a ela desde sempre, com certeza porque amo e sempre amei o mar. E o poeta Castro Alves declamou o mar e suas ondas de forma linda e magicamente..."flutuantes".



"Espumas Flutuantes" - Castro Alves
(Parte I - Poesias Completas)

"... Das bandas do ocidente o sol se atufava nos mares, como um brigue em chamas...e daqueles vasto incêndio do crepúsculo alastrava-se a cabeça loura das ondas."
"... A onda invasora de azul, que descia das alturas...recordavam-se indecisos na penumbra do horizonte."
"... Longe, inda mais longe, os cimos...sumiam-se, abismavam-se numa espécie de naufrágio celeste."

"... Como as espumas, que nascem do mar e do céu, da vaga e do vento...e como as espumas são, as vezes, a  flora sombria da tempestade...mas, como as espumas flutuantes levam boiando nas solidões marinhas..."



Antônio Frederico de Castro Alves, nasceu na Bahia, em 1847 e faleceu em 1871.
Suas poesias são marcadas pelo combate à escravidão, motivo pelo qual é conhecido como "Poeta dos Escravos. Foi nosso mais inspirado poeta condoreiro.
Seu livro "Os Escravos" foi uma das primeiras obras a introduzir a realidade negra na literatura brasileira.
O pintor brasileiro Cândido Portinari retratou "O Navio Negreiro" inspirado no tema do livro de Castro Alves. E também o pintor Rugendas retratou sua versão deste mesmo tema.



Rugendas

O pintor alemão que retratou o povo brasileiro



  • "Johann Moritz Rugendas foi um pintor alemão que viajou por todo o Brasil durante o período de 1822 a 1825, pintando os povos e costumes que encontrou."
  • "Navio Negreiro" - Rugendas
    Pintor alemão (1802-1858)

    "Navio Negreiro" - Cândido Portinari
    Pintor brasileiro (1903-1962)


    Os Escravos


    Castro Alves, simpatizante dos ideais liberais, levou o negro para a literatura brasileira, influenciado pelo escritor francês,Victor Hugo, autor de "Os Miseráveis".


    "Os Escravos" foi uma das primeiras obras a introduzir a realidade negra na literatura brasileira



    Escravos
    Henry Chamberlein



    Vozes d'África

    (Primeira Estrofe)
    (Castro Alves)

    Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?
    Em que mundo, em qu'estrela tu t'escondes
    Embuçado nos céus?
    Há dois mil anos te mandei meu grito,
    Que embalde desde então corre o infinito...
    Onde estás, Senhor Deus?...



    Navio Negreiro

    (Primeira estrofe)
    (Castro Alves)


    'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço 

    Brinca o luar — dourada borboleta; 

    E as vagas após ele correm... cansam 

    Como turba de infantes inquieta. 
    'Stamos em pleno mar... Do firmamento 

    Os astros saltam como espumas de ouro... 

    O mar em troca acende as ardentias, 

    — Constelações do líquido tesouro... 
    'Stamos em pleno mar... Dois infinitos 

    Ali se estreitam num abraço insano, 

    Azuis, dourados, plácidos, sublimes... 

    Qual dos dous é o céu? qual o oceano?...
    'Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas 

    Ao quente arfar das virações marinhas, 

    Veleiro brigue corre à flor dos mares, 

    Como roçam na vaga as andorinhas... 

    Donde vem? onde vai?  Das naus errantes 

    Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço? 

    Neste saara os corcéis o pó levantam,  

    Galopam, voam, mas não deixam traço. 
    Bem feliz quem ali pode nest'hora 

    Sentir deste painel a majestade! 

    Embaixo — o mar em cima — o firmamento... 

    E no mar e no céu — a imensidade! 
    Oh! que doce harmonia traz-me a brisa! 

    Que música suave ao longe soa! 

    Meu Deus! como é sublime um canto ardente 

    Pelas vagas sem fim boiando à toa! 
    Homens do mar! ó rudes marinheiros, 

    Tostados pelo sol dos quatro mundos! 

    Crianças que a procela acalentara 

    No berço destes pélagos profundos! 
    Esperai! esperai! deixai que eu beba 

    Esta selvagem, livre poesia 

    Orquestra — é o mar, que ruge pela proa, 

    E o vento, que nas cordas assobia... 
    .......................................................... 

    Por que foges assim, barco ligeiro? 

    Por que foges do pávido poeta? 

    Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira 

    Que semelha no mar — doudo cometa! 
    Albatroz!  Albatroz! águia do oceano, 

    Tu que dormes das nuvens entre as gazas, 

    Sacode as penas, Leviathan do espaço, 

    Albatroz!  Albatroz! dá-me estas asas. 




    *********************************

    Vinícius de Moraes
    Centenário de nascimento do "poetinha" brasileiro


    Música: "Para Viver um Grande Amor" - Vinícius de Moraes
    Intérpretes Toquinho e Vinícius




    Vinícius de Moraes foi um prolífico escritor e compositor,
    escreveu inúmeros livros, poesias e canções.



    A CRIAÇÃO NA POESia


    Vinícius de Moraes (1913-1980)

    (Ideal - F
    ragmento)

    O poeta parte no eterno renovamento.

    Mas seu destino é fugir sempre ao homem que ele traz em si.
    O poeta:

    Eu sonho a poesia dos gestos fisionômicos de um anjo!

    .................................................................................................................

    E um só clamor saía de todos os peitos e vibrava em todos lábios — Ariana!
    E uma só música se estendia sobre as terras e sobre os rios — Ariana!
    E um só entendimento iluminava o pensamento dos poetas — Ariana!



    Assim, coberto de bênçãos, cheguei a uma floresta e me sentei às suas bordas — os regatos cantavam límpidos

    Tive o desejo súbito da sombra, da humildade dos galhos e do repouso das folhas secas

    E me aprofundei na espessura funda cheia de ruídos e onde o mistério passava sonhando
    E foi como se eu tivesse procurado e sido atendido — vi orquídeas que eram camas doces para a fadiga
    Vi rosas selvagens cheias de orvalho, de perfume eterno e boas para matar a sede
    E vi palmas gigantescas que eram leques para afastar o calor da carne.



    Descansei — por um momento senti vertiginosamente o húmus fecundo da terra

    A pureza e a ternura da vida nos lírios altivos como falos

    A liberdade das lianas prisioneiras, a serenidade das quedas se despenhando.
    E mais do que nunca o nome da Amada me veio e eu murmurei o apelo — Eu te amo, Ariana!
    E o sono da Amada me desceu aos olhos e eles cerraram a visão de Ariana
    E meu coração pôs-se a bater pausadamente doze vezes o sinal cabalístico de Ariana...
    ..........................................................................................................................................................



    Depois um gigantesco relógio se precisou na fixidez do sonho, tomou forma e se situou na minha frente, parado sobre a Meia-Noite

    Vi que estava só e que era eu mesmo e reconheci velhos objetos amigos.

    Mas passando sobre o rosto a mão gelada senti que chorava as puríssimas lágrimas de Ariana
    E que o meu espírito e o meu coração eram para sempre da branca e sereníssima Ariana
    No silêncio profundo daquela casa cheia da Montanha em torno.




    "Não há ninguém, mesmo sem cultura, que não se torne poeta quando o Amor toma conta dele."
    (Platão)




    Parabéns a todos os poetas!



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